Você já se pegou atacando a geladeira depois de um dia estressante, mesmo sem fome? Ou repetindo aquele prato de comida como se fosse a única forma de acalmar suas preocupações e emoções?
A comida como alívio emocional é mais comum do que você imagina – mas a boa notícia é que seu cérebro pode aprender novas formas de lidar com a ansiedade. Aqui, vou te explicar por que isso acontece (com neurociência de forma simples) e como a terapia pode ajudar a mudar esse padrão.
Por que você busca a comida quando está ansiosa?
Seu cérebro não está sabotando você de propósito. Quando a ansiedade aparece, ele ativa um sistema de emergência:
- O cortisol (hormônio do estresse) aumenta o desejo por alimentos ricos em açúcar e gordura – eram recursos preciosos para nossos ancestrais em perigo.
- A dopamina (motivação para ter como recompensa o prazer) faz você sentir um alívio rápido ao comer – mas é passageiro, como um curativo em um machucado profundo.
- Pensamentos automáticos (“Só um docinho pra me acalmar”) reforçam o ciclo.
Resultado? Você fica presa num loop:
Estresse → Comer por impulso → Culpa → Mais estresse → Repete.
3 Sinais de que você está comendo por ansiedade (e não por fome)
- Fome “urgente”: Aparece do nada, especialmente após situações estressantes.
- Comer no “piloto automático”: Devorar um pacote de bolacha sem nem perceber.
- Culpa depois: Aquele arrependimento que piora tudo.
(Se identificou? Respire fundo. Isso tem solução ⤵ )
Como quebrar esse ciclo? (sem ser radical)
1. Faça a “pausa da urgência”:
Antes de comer, pergunte-se:
- “Estou com fome física?” (Sinais: estômago roncando, fraqueza.)
- “Ou estou tentando aliviar algo?” (Ex: tédio, ansiedade, frustração, solidão.)
Só esse intervalo de 5 minutos já ajuda a reduzir impulsos.
2. Identifique seus pensamentos e troque-os:
Se pergunte: “O que está passando na minha mente agora?
Exemplo: “Preciso disso para me acalmar!” → “Isso vai me aliviar por 10 minutos, mas depois piora minha ansiedade.”
3. Crie rituais de autocuidado não-alimentares:
Substitua o ato de comer por:
- Prepare uma bebida e aprecie com atenção;
- Faça uma pausa estratégica e ao invés de ficar no celular aprecie o que tem a sua volta;
- Fazer 2 minutos de respiração diafragmática (ativa o sistema nervoso parassimpático).
Quando procurar ajuda?
Se você percebe que:
- Já tentou várias estratégias, mas o ciclo continua.
- A culpa após comer está afetando sua autoestima.
- Isso está impactando sua saúde física ou emocional.
A terapia pode te ajudar a:
🔹 Entender os gatilhos específicos que disparam sua fome emocional.
🔹 Desenvolver habilidades para regular emoções sem comida.
🔹 Trabalhar a autocompaixão (para reduzir a culpa que alimenta o ciclo).
Você não precisa vencer isso sozinha!
Comer por ansiedade não é “falta de força de vontade” – é seu cérebro usando as ferramentas que ele aprendeu para sobreviver. Na terapia, usamos técnicas comprovadas pela ciência (como TCC, ACT e neurociência) para reprogramar essas respostas – com gentileza, mas também com método.
Se esse texto fez sentido para você, talvez seja hora de considerar um apoio especializado. Sua relação com a comida (e com suas emoções) pode ser mais leve.
A primeira sessão é um espaço para entendermos juntos como seu ciclo funciona – e traçar um plano personalizado para quebrá-lo. Você merece mais do que alívios temporários.